Conheci um Homem de Fé! E ele me disse ter recebido uma missão divina para escrever um livro sobre o impacto ambiental que o autointitulado homo sapiens causa no Planeta Terra.
Ainda no início de nossa conversa, ele também me falou que estava enrolando para concluir o livro, pois perdia tempo demais embriagando-se de ego no sonho de realizar uma obra-prima, ao invés de se dedicar com foco, ritmo e humildade para a materialização da missão.
Comentei com ele sobre delongas no desenvolvimento da obra e as trapaças do ego fazerem parte do processo criativo. Disse-lhe, sobretudo, torcer muito para que a sua nobre missão de escrever o livro fosse cumprida em tempo hábil. Ao que me retornou com a expressão de silêncio, num olhar profundo!
Percebi tratar-se de uma pessoa diferente e fui dando trela, até ele perguntar meu nome e eu responder, em tom brincalhão, que poderia me chamar de Zé Preguiça, caso me autorizasse a chamá-lo de Homem de Fé! E ele me indagou, em tom sério, se a preguiça não seria uma espécie de pecado contra a vontade de Deus. Foi então que apresentei-lhe o meu ponto de vista...
Creio, Homem de Fé, que a preguiça é parte do ânimo no lado oposto. Quero dizer, portanto, tratar-se de uma energia com forma de preguiça num polo e ânimo no outro, numa relação parecida com a do amor e ódio, da flacidez e firmeza, afinco e renúncia, próton e nêutron, noite e dia, preservação e modificação da natureza, dentre tantas outras polaridades que se ajustam e perfazem o movimento de tudo na vida, quiçá, também das vontades de Deus.
E nesse contexto das polaridades, eu ainda me pergunto sobre a tal busca pelo equilíbrio! Qual seria o ponto de equilíbrio entre a preguiça e o ânimo? Eu não confirmo uma resposta, mas, quando traço analogias na tentativa de me situar, penso na vida de um pêndulo e vejo o equilíbrio, consolidado, apenas quando não há mais movimento, ou seja, quando o pêndulo está parado, estagnado.
Num pêndulo oscilando de um polo ao outro, o ponto de equilíbrio se torna apenas um lugar de passagem. Negar isto, soa para mim como sabotar a dinâmica da vida, razão pela qual eu nunca fui equilibrado e não o serei enquanto o universo pulsar. Passei, passo e passarei pelo equilíbrio, diversas vezes, iniciando e reiniciando ciclos, do meu jeito e sem desrespeitar os movimentos alheios.
É na vida em movimento que eu boto fé, buscando não utopias como o pseudo equilíbrio consolidado, mas, sim, qualidade de presença no momento exato das coisas acontecendo, de tal forma...